FINANCIAR A CASA É MAIS BARATO QUE O CARRO
Se você está na dúvida entre comprar um imóvel à vista e financiar o carro, ou vender o veículo para dar uma entrada maior e parcelar outro, saiba que, nas condições atuais, pode ser mais interessante financiar o imóvel do que o automóvel. É claro que, para a compra no curto prazo, você pode encontrar boas condições nos veículos, até com taxa de juro zero. Mas em simulações de longo prazo você pode pagar o dobro no veículo, enquanto no imóvel o crescimento é menor e ele não deve perder valor ao longo do tempo, ao contrário do automóvel.
Vamos usar dois simuladores disponíveis nos sites de empresas que financiam esses bens. Na Sorana, revendedora da Volkswagem, por exemplo, um Golf 1.6 Flash TotalFlex sai por R$ 50,9 mil. Em um financiamento com 20% de entrada, em 72 vezes, para fazer a equivalência com o crédito imobiliário, a prestação seria de R$ 990,2 e o cliente desembolsaria R$ 71,29 mil no financiamento, mais os R$ 10 mil de entrada. A taxa de juro embutida na operação equivaleria a 1,63% ao mês, segundo o simulador ou 21,4% ao ano, com os encargos.
Imóvel - Já no Bradesco, você pode fazer uma simulação de um financiamento de um imóvel de R$ 50,9 mil, com entrada de 20%, você financiaria os R$ 40,72 mil restante e pagaria prestações iniciais de R$ 871,12 pela tabela Sacre ou R$ 752 no sistema Price. No total do financiamento você pagará R$ 59,2 mil no Sacre e R$ 60,3 na Price, com os encargos. Vale ressaltar que nas hipóteses apresentadas, a prestação da tabela Sacre cairia de R$ 871,12 no início para R$ 741 no final, enquanto na Price subiria de R$ 752 para R$ 960, por conta dos diferentes métodos de amortização do principal e dos juros. O ideal é sempre preferir a tabela Sacre. Nesse financiamento, o banco oferece uma taxa de juros de 8% ao ano, nos primeiros 36 meses, mais TR, e de 12% ao ano, no período posterior, mais TR, sem os encargos, como TAC e seguro. A TR usada pelo banco é de 0,3% ao mês, ou 3,66% ao ano, que até pode ser considerada elevada, mas interessante como forma conservadora.
Portanto, pelo exemplo, você desembolsará mais de R$ 10 mil no financiamento do veículo comparado à compra do imóvel. Esse efeito é devido ao juro embutido na operação e esse deve ser seu balizador. Vale lembrar que no final do plano seu carro terá desvalorizado e o imóvel não deve perder valor ou pode até se valorizar.
Dobro - Existem também os custos embutidos em cada operação, que devem ser avaliados e é claro que cada caso é diferente. Nos financiamentos mais curtos existem montadoras oferecendo juros bem reduzidos, que podem ser interessantes. Portanto é preciso analisar bem a forma de financiamento pretendida e os juros, para não acabar pagando dois carros por um, pagando mais por um carro do que no imóvel e outras alternativas desfavoráveis.
Os prazos para a compra do carro novo estão cada vez mais longos, chegando até a 72 meses, mas os juros ainda são elevados. Um Corsa 1.0 Hacth, por exemplo, que custa cerca de R$ 24.990, tinha financiamento anunciado com entrada de R$ 990 e saldo em 60 vezes de R$ 699. A taxa de juros é de 2,05% ao mês, elevada diante das ofertas das lojas e montadoras. O valor total pago seria de R$ 42,93 mil, cerca de 72% acima do valor à vista do veículo. Já o Celta Classic Life 1.0 Flexpower, 06/07, zero km, com preço de R$ 21.900, poderia ser 100% financiado, em 72 parcelas de R$ 599. O juro nesse caso é de 2,12% ao mês e o valor pago, de R$ 43,13 mil, ou 97% acima do preço à vista, praticamente o dobro.
Fonte: DiárioNet